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BLOGAtualizado em 02 de julho de 2026

Cão come fezes: quando é deficiência na ração de verdade

RP
Equipe Revista PetEquipe Editorial5 min leitura
Cão come fezes: quando é deficiência na ração de verdade

Coprofagia raramente é causada por deficiência nutricional pura — ração completa e balanceada, para ser vendida como tal, já precisa atender aos perfis mínimos de nutrientes definidos pela AAFCO (Association of American Feed Control Officials) (AAFCO — Selecting the Right Pet Food). O que a nutrição realmente influencia é indireto: a coprofagia ocasionalmente tem causa médica, segundo o Merck Veterinary Manual (Merck Veterinary Manual — Behavior Problems of Dogs), embora a fonte não especifique qual. Fora essa hipótese médica, vale considerar também que dieta de baixa digestibilidade e restrição calórica excessiva podem, em tese, gerar fome residual e reforçar o comportamento. Ou seja: raramente é "falta de algo no rótulo" — mais frequentemente é fome mal resolvida ou comportamento aprendido.

Isso não significa que a ração seja irrelevante — significa que o ângulo certo é digestibilidade e saciedade, não "vitamina que falta". Este artigo mostra o que investigar na dieta antes de tudo, e quando o problema é comportamental ou médico.

Cão que come fezes tem deficiência de vitamina?

Não é a explicação mais provável na maioria dos casos. É um mito comum achar que coprofagia indica falta de nutriente específico — rações comerciais completas já atendem aos perfis mínimos estabelecidos pela AAFCO. O ângulo nutricional real está em quanto o cão absorve daquilo que come, não em quanto está escrito no rótulo.

Como a digestibilidade da ração influencia a coprofagia?

Ração de baixa digestibilidade deixa mais nutrientes não absorvidos nas fezes — e fezes com resíduo nutricional residual (proteína, gordura) ficam mais "atraentes" para o cão comer. Rações com fontes de proteína de baixa qualidade (farinhas anônimas, excesso de fibra não fermentável) tendem a produzir fezes maiores e mais "aromáticas", que reforçam o comportamento.

Quais fatores nutricionais podem contribuir para a coprofagia?

Cinco fatores nutricionais aumentam o risco de coprofagia: dieta com restrição calórica extrema, ração de baixa digestibilidade, refeições muito espaçadas, enzimas digestivas insuficientes por doença pancreática e parasitas intestinais. Todos geram fome residual ou tornam as fezes mais atraentes, mesmo quando a quantidade de ração parece adequada.

FatorComo contribui
Dieta com restrição calórica extremaFome residual aumenta busca por qualquer fonte de energia, incluindo fezes
Ração de baixa digestibilidadeResíduo nutricional nas fezes fica mais atraente
Refeições muito espaçadasIntervalo longo entre refeições aumenta comportamento de forrageamento
Enzimas digestivas insuficientesDoença pancreática deixa comida "passando direto" — fezes parecem alimento não digerido
Parasitas intestinaisCompetem por nutrientes, geram fome residual mesmo com ração adequada

O que fazer quando o cão come fezes: ração e manejo

Primeiro, descarte causa médica (exame de fezes para parasitas, avaliação de função pancreática se houver fezes gordurosas). Depois, ajuste a dieta: ração com proteína de alta digestibilidade (carne nomeada como primeiro ingrediente), porções divididas em 3 refeições ao invés de 1-2, e recolhimento imediato das fezes no quintal para quebrar o hábito comportamental — a intervenção ambiental costuma ter mais impacto que a troca de ração isolada.

Quando a coprofagia é comportamental, não nutricional?

É majoritariamente comportamental quando: o cão está bem nutrido, com peso adequado, exame de fezes normal, e o comportamento surgiu associado a estresse, ansiedade de separação, ou aprendizado (filhotes que observam a mãe limpando o ninho podem repetir o comportamento). Nesses casos, a intervenção é comportamental — redirecionamento, enriquecimento ambiental, recolhimento imediato — não troca de ração.

O que NÃO fazer

  • Não punir o cão no momento do ato. Punição pode gerar ansiedade e paradoxalmente aumentar o comportamento, além de ensinar o cão a comer as fezes mais rápido, escondido do tutor.
  • Não assumir que é "só manha" sem descartar causa médica primeiro. Parasitas e insuficiência pancreática são causas reais que pioram se não tratadas.
  • Não reduzir a quantidade de ração acreditando que "ele já está satisfeito com as fezes". Isso piora a fome residual e reforça o ciclo.

Perguntas frequentes

Suplemento vitamínico resolve a coprofagia?

Raramente sozinho. Se o cão já come ração completa balanceada, suplementar vitaminas isoladas não ataca a causa real na maioria dos casos. Produtos que alteram o sabor das fezes (com enzimas ou compostos de gosto amargo) têm eficácia variável e funcionam melhor combinados com manejo comportamental.

Filhote que come fezes da mãe é preocupante?

Não necessariamente. É comportamento observado com frequência em filhotes nas primeiras semanas, associado à imitação da higienização materna do ninho. Tende a diminuir sozinho após o desmame completo. Persistência além dos 6 meses de idade merece avaliação.

Cão que come fezes de outros animais (gato, cavalo) tem o mesmo problema?

O mecanismo de atração pode ser diferente — fezes de gato alimentado com ração rica em proteína costumam ter odor mais atrativo para cães por resíduo proteico maior. Isso não indica deficiência no próprio cão, mas reforça a necessidade de gerenciar acesso à caixa de areia e a outros dejetos.

Ração de melhor qualidade garante que o cão vai parar de comer fezes?

Ajuda a reduzir o fator nutricional (menos resíduo atrativo nas fezes), mas não garante extinção total do comportamento se ele já for aprendido ou tiver componente comportamental. O manejo combinado — dieta de boa digestibilidade + recolhimento imediato + redução de estresse — tem taxa de sucesso mais consistente do que qualquer intervenção isolada.


Cão que come fezes raramente está "faltando algo" no sentido literal do rótulo — na maioria dos casos, é fome residual mal resolvida, digestibilidade baixa ou comportamento aprendido. Descartar causa médica primeiro, depois ajustar digestibilidade e rotina de refeições, resolve a maior parte dos casos sem suplementação desnecessária.

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