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BLOGAtualizado em 03 de setembro de 2026

Como as Raças de Cachorro Mudaram de Corpo Desde 1915

RP
Equipe Revista PetEquipe Editorial5 min leitura
Como as Raças de Cachorro Mudaram de Corpo Desde 1915

Você olha uma foto antiga de cachorro de raça e estranha alguma coisa, sem saber apontar o quê. O corpo parece outro, mesmo que o nome da raça seja o mesmo de sempre. Não é impressão.

Em 1915 um livro chamado Dogs of All Nations fotografou cães de raça de perfil, em pé, corpo inteiro — o retrato padrão da época para documentar cada raça. Cem anos depois dá pra repetir exatamente a mesma pose com os descendentes dessas raças. Colocando as duas fotos uma em cima da outra, quatro delas mostram a mudança de corpo mais escancarada: Bull Terrier, Dachshund, Boxer e Pastor Alemão.

Bull Terrier: da cabeça com degrau à cabeça de ovo

Na foto de 1915, o Bull Terrier tem a cabeça reta, com um degrau nítido entre a testa e o focinho — o perfil comum a qualquer terrier da época. Na foto de hoje, esse degrau desapareceu: a testa desce até a ponta do nariz numa curva única, sem quebra nenhuma. É a "cabeça de ovo" que virou a marca registrada da raça atual, e que só existe porque foi selecionada geração após geração.

Dachshund (o bassê) e Basset Hound são a mesma raça?

Não. O cão baixo desta comparação é o Dachshund, chamado no Brasil de bassê. E aqui cabe uma distinção que o próprio livro de 1915 deixa clara: além do Dachshund, a obra traz também os bassets franceses, em variações de pelo liso e de pelo duro. O que não aparece em lugar nenhum dela é o Basset Hound inglês, aquele de cara comprida e orelha enorme que a maioria das pessoas imagina ao ouvir a palavra. Três cães diferentes que dividem parte do nome pela raiz francesa "basset", que quer dizer baixo.

Na foto antiga, o bassê já é baixo, mas as pernas ainda erguem o corpo do chão — dá pra ver luz passando embaixo da barriga. Na foto de hoje, o tronco corre quase rente ao piso, com pouquíssimo espaço entre a barriga e o solo.

Boxer: focinho mais curto, peito mais largo

Em 1915, o Boxer tem o focinho mais comprido e o corpo mais estreito. Na foto de hoje, a cara é mais curta e achatada, e o peito ganhou largura. É a mesma direção de mudança que marcou outras raças de focinho curto ao longo do século.

Pastor Alemão: da linha reta à rampa

Em 1915, a linha das costas do Pastor Alemão é reta do pescoço até a cauda, e as pernas de trás ficam quase debaixo do corpo. Na foto de hoje, essa linha cai em rampa em direção à cauda, e a perna de trás se estende bem mais para fora — um ângulo que a foto antiga simplesmente não tem.

O que muda entre a foto de 1915 e a foto de hoje

RaçaO que a foto de 1915 mostraO que a foto de hoje mostra
Bull TerrierCabeça reta, com degrau nítido entre testa e focinhoCabeça de ovo, curva única sem quebra da testa ao nariz
Dachshund (bassê)Pernas curtas, mas com espaço visível entre a barriga e o chãoTronco quase rente ao piso, pouquíssimo espaço até o solo
BoxerFocinho mais comprido, corpo mais estreitoFocinho mais curto e achatado, peito mais largo
Pastor AlemãoLinha das costas reta do pescoço à cauda, pernas de trás quase sob o corpoLinha das costas em rampa até a cauda, perna de trás estendida para fora

O que essas fotos NÃO provam

As duas fotos, lado a lado, mostram silhueta — não medição. Não dá pra tirar percentual, milímetro ou "quanto" mudou a partir de uma comparação visual de imagens de épocas diferentes, tiradas com equipamento, luz e ângulo que não são idênticos. O que se pode afirmar é o que aparece em cada retrato: a foto de 1915 mostra uma silhueta, a foto de hoje mostra outra.

Dito isso, a direção da mudança nessas quatro raças — corpo mais extremo, seja no encurtamento do focinho, no comprimento das pernas ou no ângulo das articulações — é algo que padrões de raça levados ao extremo têm gerado debate entre veterinários, especialmente quando a forma final pode afetar respiração, mobilidade ou coluna do animal. Um estudo sobre morfometria craniofacial em raças braquicefálicas populares discute exatamente esse ponto: usar a medição do formato do focinho como ferramenta de prevenção veterinária, não como acusação a criador algum.

Perguntas frequentes

Por que os cães de raça mudaram tanto de aparência em cem anos?

Porque o padrão de cada raça é decidido por clubes e criadores, e esse padrão pode ser ajustado com o tempo — priorizando um traço (cabeça mais arredondada, focinho mais curto, dorso mais anguloso) geração após geração. O resultado acumulado de décadas de seleção aparece de forma clara quando se compara uma foto antiga com uma atual.

O Bull Terrier sempre teve essa cabeça de ovo?

Não. A foto de 1915 mostra um perfil de cabeça reta, com degrau entre testa e focinho, comum aos terriers da época. A curva única e sem quebra que marca a raça hoje é resultado de seleção posterior — não é como o Bull Terrier começou.

Basset Hound e bassê (Dachshund) são a mesma raça?

Não. O bassê brasileiro é o Dachshund, de origem alemã. O Basset Hound é raça inglesa, de orelhas longas e cara comprida. E existe ainda um terceiro grupo, o dos bassets franceses — esses sim presentes no livro de 1915, em versões de pelo liso e de pelo duro. O inglês é o único dos três que não entra na obra.

Padrão de raça muito extremo faz mal ao cachorro?

É um ponto discutido por veterinários, não uma regra fechada. O foco recai sobre estruturas que podem comprometer função — focinho muito curto e respiração, por exemplo. Uma publicação científica recente propõe justamente medir o formato do focinho em raças braquicefálicas como ferramenta de prevenção veterinária, o que mostra que o tema segue em estudo, sem veredito único para toda raça ou todo indivíduo.

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